BONITINHA, MAS ORDINÁRIA ESTRÉIA NO CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL

BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

Bonitinha, mas odinária

Bonitinha, mas odinária

NO CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL.

A encenação utiliza filmes de animação para destacar a poesia do texto de Nelson Rodrigues

Após encenar “Valsa nº6”, com uma boneca no papel título, a Cia Teatro Portátil estreia um novo espetáculo. “Bonitinha, mas Ordinária”, nasceu do desejo da companhia de dar continuidade à pesquisa sobre a dramaturgia de Nelson Rodrigues. Com direção de Alexandre Boccanera, a peça estará em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, a partir de 21 de janeiro até 1º de março, de quarta a domingo às 19h30.

“Bonitinha, mas Ordinária”, escrita em 1962, é uma reflexão obsessiva sobre a condição humana e as possibilidades do homem de mudar a realidade e transformar sua história.  A partir de um enredo folhetinesco, acompanhamos a trajetória de Edgard (Guilherme Miranda), um ex-contínuo que recebe uma proposta irrecusável de subir na vida, casando-se com Maria Cecília (Julia Schaeffer), filha do seu patrão, o Dr. Werneck (Marcello Escorel). Ele precisará revisar suas convicções, já que é apaixonado por Ritinha (Elisa Pinheiro), sua vizinha, uma menina pobre que faz de tudo para sustentar a mãe e as irmãs mais novas. Atormentado pela frase “o mineiro só é solidário no câncer”, atribuída na peça ao escritor Otto Lara Resende, Edgard confronta sua ambição com seus princípios éticos.

A pesquisa sobre a linguagem da animação, que permeia a trajetória da Cia Teatro Portátil, estará presente em filmes e ilustrações que apoiam a narrativa e ressaltam a poesia do texto. “Buscamos valorizar a essência poética da palavra de Nelson. Nosso maior interesse é estabelecer uma comunicação direta com os espectadores permitindo que o público perceba como esse grande autor brasileiro permanece vivo e sua fala dialoga com a atualidade”, destaca o diretor Alexandre Boccanera.

Os filmes de animação foram criados especialmente para o espetáculo por uma dupla de animadores paulistas, atualmente radicada no Canadá, Beatriz Carvalho e Diogo Nii Cavalcanti, parceiros da companhia desde a montagem de “Valsa nº6”.

Neste novo projeto, contemplado com o Programa de Fomento à Cultura Carioca da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, a Cia Teatro Portátil celebra dez anos de existência, abrindo espaço para artistas convidados, trocando experiências e renovando seu olhar sobre o fazer teatral.

 

COMPANHIA TEATRO PORTÁTIL

Há dez anos, sediada na cidade do Rio de Janeiro, a Cia Teatro Portátil desenvolve uma pesquisa continuada sobre o teatro de animação e a cena contemporânea. Um trabalho de reflexão e experimentação que busca misturar diferentes linguagens. Com o material dessa pesquisa, criou os espetáculos “2 Números”, “As Coisas” e “Valsa N°6” e se apresentou em mais de 50 cidades no Brasil e no exterior, alcançando uma plateia de aproximadamente 100.000 espectadores.

“2 Números”, montado com apoio do Programa de Bolsas Vitae de Artes, estreou em 2005 e desde então foi apresentado no 13° Festival Internacional do Mindelo – Cabo Verde em 2005, na 7° Mostra Cariri das Artes promovida pelo Sesc Ceará em 2005, no 3° Intercâmbio de Linguagens realizado no Rio de Janeiro em 2005, no 13° Porto Alegre em Cena em 2006, no 6° Festival de Formas Animadas de Jaraguá do Sul/SC em 2006, no 1° Seminário de Estudos sobre Teatro de Animação realizado em Rio do Sul/SC em 2006, na 6°Mostra Sesc/CBTIJ de Teatro promovida pelo Sesc Rio de Janeiro em 2006, no 16° Festival Espetacular de Bonecos de Curitiba promovido pelo Teatro Guaíra em 2007, no 20° Festival del Sur / Ilhas Canárias – Espanha em 2007, no 9° Festival Internacional de Bonecos de Belo Horizonte em 2008, no 2° FITA Floripa– Festival Internacional de Teatro de Animação de Florianópolis/SC em 2009, na 9° Mostra Sesi de Teatro de Bonecos e Formas Animadas promovida pelo Sesi SP em 2009, no 13º Festival Internacional de Títeres de Santiago de Compostela – Espanha em 2008, no FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto em 2009 e na Mostra Sesc de Animação/SP em 2011. O espetáculo esteve em cartaz no Teatro de Arena da Caixa Cultural do Rio de Janeiro em 2008, no SESC Avenida Paulista em 2009, no Teatro da Caixa Cultural de Curitiba em 2010, no Sesc Santo Amaro/SP em 2011 e no Teatro Fashion Mall/RJ em 2014.

“As Coisas”, produzido com patrocínio do Banco do Brasil, estreou em abril de 2010 e esteve em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília e Rio de Janeiro. Em 2011, o espetáculo integrou a programação do 5º FITA Floripa – Festival Internacional de Teatro de Animação de Florianópolis/SC. Em 2012, foi contemplado com o FATE – Fundo de Apoio ao Teatro da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e reestreou no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Em 2013, integrou a programação da Mostra Sesc de Teatro de Animação/SP e esteve em cartaz no Teatro Fashion Mall/RJ. Em 2014, esteve em cartaz no Teatro do Leblon/RJ e no Imperator – Centro Cultural João Nogueira/RJ.

“Valsa N°6” montagem contemplada com o FATE – Fundo de Apoio ao Teatro, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro estreou em 2012, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Em janeiro de 2013, esteve em cartaz no Teatro de Arena da Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Foi selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2013/2014 e contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2013 para circular por diversos estados brasileiros.

A Cia Teatro Portátil é formada por Alexandre Boccanera, Ana Moura, Flávia Reis, Guilherme Miranda, Julia Schaeffer e Laura Collor.

 

ALEXANDRE BOCCANERA

Formado em direção teatral na Universidade do Rio de Janeiro, em dança contemporânea na Escola Angel Vianna e na London Contemporary Dance School. Foi bolsista do Programa de Bolsas Vitae de Artes. Trabalhou com importantes diretores do teatro brasileiro como Luis Antônio Martinez Correa, Bia Lessa, Moacir Chaves e João Falcão. É fundador e diretor da Cia Teatro Portátil, dirigiu os espetáculos “2 Números”, “As Coisas” e “Valsa Nº 6”.

 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Nelson Rodrigues

Direção: Alexandre Boccanera

Elenco: Ana Moura, Anderson Cunha, Cláudio Gardin, Elisa Pinheiro, Guilherme Miranda, Julia Schaeffer, Laura de Castro, Marcello Escorel, Márcio Freitas e Morena Cattoni.

Co-direção: Duda Maia

Direção Musical e Trilha Sonora: Guilherme Miranda

Cenografia: Mina Quental

Figurino: Patricia Muniz

Filmes de Animação: Beatriz Carvalho e Diogo Nii Cavalcanti

Iluminação: Aurélio de Simoni

Preparação Corporal e Direção de Movimento: Joana Ribeiro e Marito Olsson-Forsberg

Preparação Vocal: Ana Frota

Assistente de Direção: Márcio Freitas

Realização: Cia Teatro Portátil

Produção: Boccanera Produções Artísticas

Produção Executiva: Alessandra Azevedo

 

SERVIÇO:

Espetáculo: Bonitinha, mas Ordinária.

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro) –

Teatro III

Telefone para informações: (21) 3808-2020.

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Estreia: 21 de janeiro, às 19h30

Temporada: 21 de janeiro a 1º de março

Horários: de quarta a domingo, às 19h30.

Capacidade: 40 pessoas.

Classificação etária: 16 anos.

Duração: 75 min.

Gênero: Tragédia Carioca

Galeria

O Povo rompe o silêncio e se manifesta – Manifestação Maracanã – Álbum de fotos – parte I

Esta galeria contém 40 imagens.

Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Jota Junior

Pode ser que os povos da mata ao adentrar na floresta urbana, talvez não se sintam tão estranhos assim, afinal ambas as selvas estão cada vez mais próximas por conta da diminuição constate dos limites e da identificação entre seus animais.

Há de se observar que na floresta urbana os animais estão quase sempre disfarçados, e na outra, colonizados, humanizados.

Os animais da floresta urbana ocultam seus cheiros, odores, com variados tipos de outros cheiros, chamados perfume. Camuflam suas peles com vestimentas das mais diversas origens, dos mais diversos tipos de tecidos e cores, alguns confeccionados de couros ou peles de outros animais, como jacarés, ursos, onças, cobras e etc… Mas mesmo em sua maioria disfarçados, é possível percebê-los como são.

No ritmo alucinante da correria do dia-a-dia da cidade, quando esses seres considerados humanos se esbarram em outro, é comum o seguinte diálogo: “vai cavalo”, diz um. O que o outro prontamente responde: “sai da frente sua perua”, e assim por diante…

Não dá para se ter a noção exata se os personagens são um homem e uma mulher, pois o diálogo direciona para um cavalo, macho da espécie égua, e uma perua, fêmea da espécie peru.

Certa vez presenciei dois rapazes comentando ao ver passar uma moça e uma senhora, que pareciam ser mãe e filha: “Que gatinha”, disse um deles, e logo o outro retrucou, “mas repara a mãe é uma baleia”, sim, concordou com o primeiro, mas acrescentou: “Talvez seja melhor ser uma baleia do que ser uma jararaca, como a minha sogra”, acrescentou.

Tive um pouco de dificuldade de entender o diálogo: Como pode uma baleia ter uma filha gatinha e um ser humano ter uma sogra jararaca, um réptil. Será que ele se casou ou namora com uma cobra? Já que filho de peixe peixinho é!

No mesmo instante, numa outra cena, um rapaz passou pelo outro e o cumprimentou amistosamente: “fala aí bicho”.

Já vi muitos bichos falantes: em filmes de desenhos animados, em atrações circenses, em teatros de mamulengos, mas na vida real… A não ser que se trate de um papagaio, mas o sujeito nem verde era…

Comecei a achar que estava meio perdido nesta miscelânea e precisava me localizar. Cada vez mais estava me convencendo que realmente habito uma floresta, embora seja uma floresta urbana. Minha certeza se fundamenta quando ligo o rádio do carro e ouço: “Eu sou o negro gato de arrepiar, e esta minha vida é mesmo de amargar…”, em seguida: “Uma moça bonita de olhar agateado deixou em pedaços o meu coração, uma onça pintada e o seu tiro certeza deixou os meus nervos de aço no chão…”, Na sequencia:  Tô Doidão! Tô Doidão! Bicho! Tô doidão! Tô Doidão! Tô Doidão! Bicho! Tô doidão! Bicho! Tô doidão!…”.

Nesta selva que ao que parece, é o habitar natural do homem e também de outros animais, há de se prestar muito atenção para que não se compre gato por lebre. Pois em rio que tem piranha, jacaré nada de costa. Mas vejo com certa injustiça o dito popular que diz que esse cara é a imagem do cão: coitadinho do cão, não é? E outras ditadas, como: vai pagar mico? Seria legal deixar o mico na dele, lá na floresta dele, não acham? Então, esse cara é mesmo cobra. Como tem bichos de todo tipo, vai lá… Todavia, tomara que não dê zebra! Fiquemos então atentos ao que diz a Bíblia, quando nos chama atenção para: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” (Mateus 7:15).

Salve Jorge! Viva Jorge! Jorge´s birthday

Salve Jorge! Viva Jorge! Jorge´s birthday

Salve Jorge! Viva Jorge! Jorge´s birthday

 

Por Jota Junior.

As comemorações pelo dia de São Jorge sempre mobilizaram milhares de fiéis pelo Rio de Janeiro e pelo mundo afora. O ‘Santo guerreiro’ é conhecido por arrebanhar seguidores que não medem esforços para cultuá-lo, e desta vez não foi diferente, foram milhares de pessoas, que se deslocaram de diversos lugares, para mostrar ao Santo, o tamanho da sua fé e devoção.

Nas missas que aconteceram várias vezes durante todo o dia, devido ao grande número de fiéis, as igrejas não comportaram, e nem todos conseguiram entrar, e muitas pessoas ficaram na rua, acompanhando a celebração através de caixas de som. Sem se importar, os devotos vibravam aos gritos de “Viva Jorge”, “Salve Jorge”. Devido ao fato, em muitas paróquias as missas passaram a serem celebradas na rua.

Numa mistura de fé, devoção e festa, houve queimas de fogos, churrascadas, batucadas. Fiéis se reuniram num ato de fé e agradeceram ao santo pelas graças alcançadas, e oraram pela tolerância religiosa.

Gilberto Gil diria com o seu olhar observador e poético: “Olha lá vai passando a procissão, se arrastando que nem cobra pelo chão…” Realmente a procissão é um momento indescritível, só quem estava lá poderá traduzir, e assim mesmo, de forma aproximada. Como descrever o Santo Guerreiro, seguido de milhares de pessoas: velhos, moços, crianças, inclusive cadeirantes, vestidos com as roupas de Jorge, predominantemente vermelhas, carregando velas de todos os tamanhos e cores, acesas, por várias ruas da cidade, além de fitas, imagens de santos e muita fé e agradecimentos ás conquistas alcançadas.

Outro grande mérito da fé, que alguém poderia dizer ser até um milagre, é que o dia 23/04, dia de São Jorge para os católicos e demais devotos, também é dia de Ogum para o Candomblé. E os rituais afros, os afoxés, balés afros, assim como as comemorações católicas, transcorreram em perfeita harmonia e tolerância. Uns saldando São Jorge Guerreiro, outros saldando Ogum Guerreiro. E viva a tolerância religiosa.

Como o que está bom pode ficar ainda melhor, nossos poetas nos brindam com verdadeiras pérolas. Veja o que diz Jorge Bem Jor em Jorge da Capadócia: “Jorge sentou praça na cavalaria e eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia, eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge, para que meus inimigos tenham pés, não me alcancem…”.

Seu Jorge em Alma de Guerreiro – Tema da novela Salve Jorge: “Jorge vem de lá da Capadócia montado em seu cavalo, na mão a sua lança. Defendendo o povo do perigo, das mazelas do inimigo, vem trazendo a esperança…”.

Zeca Pagodinho em Pra Jorge: “Vou acender velas para São Jorge, a ele eu quero agradecer, e vou plantar comigo-ninguém-pode, para que o mal não possa então vencer…” E continua, agora homenageando Ogum: “Ogum com sua espada, sua capa encarnada, me dá sempre proteção, quem vai pela boa estrada, no fim dessa caminhada, encontra em Deus perdão”.

Aldir Blanc com Maria Bethânia complementa tudo com: “Fica ao meu lado São Jorge Guerreiro, com tuas armas, teu perfil obstinado, me guarda em ti, meu Santo Padroeiro”.

Que os nossos santos guerreiros vençam todos os dragões. Os dragões das maldades, das hipocrisias, das imoralidades, das injustiças sociais, da cobiça dos homens e mulheres que muitas vezes se dizem de boa vontade, e até o diabo disfarçado, que muitas vezes permitimos que habite em nós.

Acesse os links abaixo e assista aos vídeos no youtube

Jorge Ben Jor – Jorge da Capadócia

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SeDcDJ8JH3k

Seu Jorge – Alma de Guerreiro – Tema da novela Salve Jorge

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=EymX6G32CFU

Zeca Pagodinho – Pra São Jorge

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=QKtXB0b8dTw#!

Maria Bethânia – De Aldir Blanc – Medalha de São Jorge

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=XhNc8_Qxfeo

 

As Empreguetes – Vale a pena ver de novo!

Cheias de Charme - Vale a pena ver de novo

Cheias de Charme – Vale a pena ver de novo

Por Jota Junior

Por onde andam as empreguetes? Pergunta interessante, não é? A questão á primeira vista pode até parecer difícil, mas é tão obvia: As Empreguetes estão por aí por esse mundão de Deus. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 9 milhões de trabalhadores domésticos, e pelo mundo afora nem se contam, são incontáveis…

Ainda está latente na memória a novela global Cheias de Charme, a trama que propositalmente ou não, acabou por denunciar a realidade do universo dos trabalhadores domésticos, que ainda hoje, em sua maioria, ainda sofrem maus tratos, trabalham sem receber direitos trabalhistas, e em alguns casos, sem nem mesmo ter a carteira assinada. Trabalhadores que ainda têm nos sábados, domingos e / ou feriados, dias inalcançáveis, pois continuam trabalhando arduamente, sem direito ao descanso remunerado e merecido.

Mas a boa nova é que a ficção, com uma forcinha dos movimentos organizados, acabou por contaminar uma realidade nua e crua, trazendo a baila um assunto até então ´proibido´ nos meios formais sociais. Ao exortar, nos deveras condicionados certa possibilidade, embora remota, de que havia uma chance de melhoria nessas condições. Como bem diz a atriz Tais Araújo,“O maniqueísmo meteu o dedo na ferida e não doeu, fez cosquinhas e todo mundo brincou, sorriu, e achou até bom”.

Nesses tempos de crenças e descrenças radicais, ninguém acreditava nessa possibilidade, pois havia no ar uma certa desmobilização organizada. Justamente quando os tambores rufaram. E como rufaram! As trombetas soaram. E como soaram e ecoaram longe…

Naquele instante o silêncio estava sendo quebrado, e o barulho foi tanto que acabou por ser ouvido até lá em Brasília. Longínqua Brasília! Longínquo Congresso Nacional! Tão distante dos anseios do povo. Mas chegou lá. Para ser mais exato: justamente num cego e surdo Congresso Nacional, que quase nunca vê nem enxerga as aspirações do povo, salvo se for por para atender seus próprios interesses oligárquicos. Será que a justiça será feita, ô pátria amada idolatrada salve, salve?

Há quem diga que a culpa é da interatividade em voga e da mobilidade social da Internet que propiciou grande sucesso ao clipe da novela e acabou por incluir o telespectador no processo. Como diz a atriz Taís: “você se empresta e se transmite através dos conteúdos que você interage, a Internet veio para dentro da novela através da interação, somando ideias e termos como, as empreguetes, as cachorretes, e depois as desempreguetes, e popularizou as periguetes”.

A ficção se fundiu com a realidade, e a realidade nua e crua soube se aproveitar do momento oportuno. Fez-se presente e cobrou de quem de direito um posicionamento, uma decisão, e este grito foi tão grande que ressoou nos picaretas. Como bem disse o Lula do passado: eram quatrocentos picaretas, mas parece que ele errou na conta ou esqueceu-se de incluir os seus aliados, que não são nada bobos, nem usam tarja preta.

A boa notícia é que o Congresso acaba de aprovar a por unanimidade, a Emenda Constitucional n° 72/2013, anteriormente conhecida como PEC das Domésticas.

Ainda há muitas senzalas para fechar até que se alcance a liberdade plena, a emancipação e libertação desejada. Todavia, é fato que estamos dando um grande passo, quando fechamos mais uma senzala e jogamos as chaves fora, entregando dignidade ás pessoas, neste caso, aos empregados domésticos.

Serviço:

O advogado Carlos Eduardo Dantas Costa, do escritório Peixoto e Cury Advogados, especialista em direito do trabalho e administração de empresas, esclarece, em vídeo, as principais dúvidas sobre a emenda constitucional que deu novos direitos aos trabalhadores domésticos, como empregadas, motoristas e babás.

Acesse o link.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/advogado-tira-duvidas-sobre-a-pec-das-empregadas-domesticas

Roque & Terezinha enchem de tradição e de alegrias as feiras e praças do país

Roque e Terezinha

Roque e Terezinha

Roque José e Terezinha, a dupla de emboladores nordestinos, conhecidos como mestres da arte do improviso, há mais de 16 anos perambulam pelo país, alegrando plateias em praças e feiras, com suas poesias e rimas improvisadas sobre temas variados.

Artistas mambembes, nômades por natureza, estão sempre na estrada, e levam bem á sério a máxima: “todo artista tem de ir onde o povo está”.

Como eles dizem: “desde 2003, sempre cumprimos temporadas curtas no Distrito Federal, tendo como referência a Casa do Cantador, em Ceilândia, onde ficamos hospedados, geralmente por alguns meses, é a nossa casa” afirmam. “A nossa segunda casa é o Rio de Janeiro”, complementam.

De fato esta ordem não está tão exata, mas como a ordem dos fatores não altera o produto…

A dupla na verdade começou sua carreira de sucessos no Rio de Janeiro, no Largo da Carioca propriamente dito. Foi lá que depois de muitas caronas, atravessando o Brasil cantando, passando por Alagoas, Bahia, São Paulo etc., que Roque encontrou Terezinha cantando com a irmã Lindalva. Roque cantou algumas coisas com Terezinha e sob os mesmos signos as coisas se encaixaram perfeitamente, num momento que a dupla das irmãs já estava bastante desgastada por conta de algumas brigas… Como conta Terezinha: “Minha irmã me bateu na Casa do Cantador, em Brasília, tivemos uma discussão muito grande, e ficou difícil a continuação da dupla…, então, eu fiquei muito desgostosa com ela e falei, nós pode ser irmã, nós podemos ser amigas, mas prá nós duplar, nunca mais. Então ela se desgostou vendeu a casa dela e foi morar em João Pessoa”. Na época ela morava no Rio de Janeiro.

Conhecendo um pouco mais a história da dupla:

Terezinha é o nome artístico de Otília Dantas de Lima, repentista desde os 9 anos de idade. “Meu pai era violeiro e repentista e foi quem me influenciou para que eu seguisse essa carreira. Ainda na infância, comecei a cantar nas praças Gentil Ferreira, do Alecrim e da Ribeira, em Natal. Durante 20 anos, fiz dupla com minha irmã Lindalva. Nós duas cumprimos longa temporada no Rio de Janeiro, morando em São João do Meriti e cantando no Largo da Carioca, na Cinelândia, nas praças XV, Mauá, do Pacificador (em Caxias, na Baixada Fluminense)”, recorda-se.

Terezinha chegou a participar de vários programas de tevê, como os de Flávio Cavalcante, Os Trapalhões, Som Brasil (apresentado por Rolando Boldrin e Lima Duarte), em Hebe Camargo e no Domingão do Faustão. Com 15 filhos, 23 netos e 19 bisnetos, Terezinha fala com carinho de Roque: “Ele é como se fosse um filho para mim. Entendemos-nos bastante. Na roda, ele tira a rima e eu o acompanho”.

Foi igualmente o pai violeiro, Sebastião de Barros, quem incentivou Roque José da Silva a seguir a arte do repente, mas as influências maiores vieram dos conterrâneos Barra do Dia, Rouxinol Pereira e Caju & Castanha. “No começo da adolescência, formei a dupla Melão & Melancia, com meu irmão João José. Cantamos muito nas feiras de Caruaru, Gravatá, Vitória de Santo Antão e Bezerro”, lembra. Com 23 anos, gravou um disco em São Paulo. Logo depois foi para o Rio, pois queria conhecer Terezinha, de quem era fã. “Trabalho com Terezinha há 16 anos e para mim é uma realização, pois sei que estou ao lado de uma grande artista popular”, elogia.

As coisas no início foram bem difíceis, diz Roque: “meu primeiro pandeiro foi um pandeirinho de lata feito pelo meu próprio pai. Fiz minha primeira apresentação para um evento da prefeitura, foi quando ganhei um pandeiro de verdade”.

As feiras no nordeste acontecem sempre ás sextas, sábados e domingos. Roque trabalhava durante a semana e nos finais de semana cantava nas feiras de Caruaru, Palmares, Ribeirão etc., “era eu cantando e meu pai passando o chapéu”, conta.

Por onde passa a dupla de emboladores tem levado a poesia eminentemente popular ao público que os assiste com interesse e admiração. Embora a temática abordada tenha como suporte a herança cultural recebida na região de origem, os amigos — como bons improvisadores — nunca deixam de atender às sugestões de pessoas que os ouvem. Do aspecto físico de quem os provoca às relações amorosas, versejam sobre tudo, inclusive fatos e acontecimentos ligados ao cotidianos à política. “Somos recebidos com carinho em todos o lugares onde temos levado nosso trabalho. As pessoas gostam de ouvir o repente e costumam participar, sugerindo temas para as rimas”, festeja Terezinha, 74 anos, norte-rio-grandense de Currais Novos e Roque, 36 anos, pernambucano de Chã Grande, cidadezinha próxima a Caruaru.

Ao fim de cada cantoria, de no máximo, uma hora de duração, eles passam o pandeiro entre os espectadores que costumam fazer pequenas contribuições. “É com isso que nos mantemos. Fazemos, também, a venda de CDs e dos DVDs, que gravamos no auditório da Casa do Cantador”, explica Roque.

A Dupla custeou e gravou o DVD, graças a um contrato de dois anos que tiveram com o Governo de Brasília, cada obra que era inaugurada a Dupla se apresentava, era Roque e Terezinha e outros artistas. “Estamos nos preparando para gravar outro CD e DVD”, acrescenta.

Os shows são outra fonte de renda de Roque e Terezinha. Já se apresentaram em algumas edições do Maior são João do Cerrado (festa junina fora de época, que ocorre geralmente no mês de agosto, no Ceilambódromo/DF). Ao lado de astros e estrelas da música popular brasileira, como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Alceu Valença, Jorge de Altinho, Frank Aguiar e Banda Calypso.

Assista os vídeos: Roque & Terezinha

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=QPYbB_lTvb4#!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZGpR5RwdkP8

O aleitamento materno e seus benefícios

Aleitamento materno

Aleitamento materno

 

Por Jota Junior

Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Pediatria, o leite materno é um alimento completo para o bebê, pois protege contra infecções, alergias, está sempre pronto e na temperatura certa para ser usado, é bom para a dentição e a fala, contribui para o desenvolvimento infantil e ainda é acrescido, pela mãe, de uma boa dose de amor e carinho. A amamentação deve ser oferecida durante os primeiros seis meses de vida. Após esse tempo, continuar amamentando até os dois anos de idade ou mais, mas introduzindo também os alimentos da família. Muito mais do que uma recomendação é um direito do bebê.

Ato da amamentação fortalece laços afetivos entre mãe e filho.

São muitas as vantagens proporcionadas pela amamentação ao bebê e também à própria mãe: os olhos nos olhos e o contato contínuo entre mãe e filho fortalecem os laços afetivos, e o envolvimento do pai e familiares favorece o prolongamento da amamentação, além de o leite ser limpo, estar sempre pronto e quentinho. Preste atenção ao que diz a jovem mãe Marta de Souza, de 22 anos, moradora do bairro de Acari, mãe de Felipe, de apenas cinco meses: “Eu tinha grande resistência com relação a amamentação, por medo que meus seios ficassem muito grandes e caídos, mas depois de receber orientação dada pelos especialistas do Hospital da Mulher Heloneida Studart, vejo que não é nada disso, então, amamento meu filho a hora que ele quer, e ainda aproveito para curti-lo, namorá-lo e amá-lo ainda mais, nos meus braços”. “Para mim é um momento maravilhoso, entre eu e minha cria, me sinto em perfeita sintonia”, conclui.

Leite fraco é mito

De acordo com a pediatra Lúcia Rolim, para derrubar o mito do leite fraco, as mães devem ficar atentas e confiantes no seu leite. “Com técnicas, ajuda e apoio da família e de profissionais de saúde, essa mulher poderá amamentar plenamente o seu bebê até o sexto mês, conforme orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS)”, afirma. Quando o bebê suga adequadamente, a mãe produz dois tipos de substância: Prolactina (hormônio produzido pela hipófise, o qual provoca a lactação), que faz os peitos produzirem o leite, e Ocitocina (hormônio produzido pela hipófise, que favorece as contrações do útero no momento do parto), que libera o leite e faz o útero se contrair, diminuindo o sangramento. Portanto, o bebê deve ser colocado no peito logo após o nascimento, ainda na sala de parto. Apesar de pouco difundido, a amamentação é também um método natural de planejamento familiar, pois constitui um ótimo meio de evitar uma nova gravidez. Isto se consegue quando três condições ocorrem: a mãe ainda não menstruou após o parto, o bebê tem menos de seis meses e a amamentação é exclusiva durante o dia e também durante a noite. Até o sexto mês, dar somente o peito. O bebê deve mamar sempre que quiser, inclusive durante a madrugada. Desta maneira, o corpo da mulher continua produzindo quantidade suficiente de hormônios que ajudam a evitar filhos. Amamentar logo que o bebê nasce faz o útero voltar mais rápido ao tamanho normal, e a diminuição do sangramento previne a anemia materna, reduz o peso mais rapidamente após o parto, reduz o risco de diabetes, reduz o risco de câncer de mama e de ovário. Dona Dinalva dos Santos, 42 anos, moradora do bairro de Coelho da Rocha, mãe de quatro filhos, sendo eles: Lucas, de 12 anos; Pedro, de oito; Lúcia, de cinco; e o caçula João Miguel, dois meses, diz: “meus filhos sempre foram amamentados com leite do peito, e ás vezes, até por mais de dois anos, como é o caso da Lúcia que mamou até quase três. O João está indo pelo mesmo caminho, mama várias vezes ao dia e á noite, parece um bezerrinho”. “Seguindo essa prática, meus filhos estão crescendo dispostos e saudáveis”, acrescenta.

Serviços:

Hospital da Mulher Heloneida Studart(21)2651.9600

Banco de leite humano – Se a mãe tiver excesso de leite, pode doá-lo a um Banco de Leite Humano e ajudar outros bebês que necessitam. Informe-se no site http://www.redeblh.fiocruz.br ou, se preferir, procure uma unidade de saúde.

Disque amamentação – Funcionamento de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 16h, pelo telefone: (21) 9981.5866

ONG Amigas do Peito – Há 30 anos a ONG Amigas do Peito incentiva o aleitamento materno. O grupo já atendeu mais de 180 mil famílias através de seus grupos de apoio, pela Internet (www.amigasdopeito.org.br) ou pelo disque-amamentação (21) 2285-7779.

Artistas do comércio de rua do Rio de Janeiro – Álbum

 

Artistas do comércio de rua do Rio de Janeiro

Meninos no sinal - malabaristas com bolas

Meninos no sinal – malabaristas com bolas

Por Jota Junior

Quem circula pelo Rio de Janeiro, certamente já se deparou com meninos, homens e mulheres vendendo algo pelos sinais, vias públicas e calçadas. Eles penduram balas nos retrovisores, ensaboam os pára-brisas, e às vezes, até pedem uma moedinha. Há também artistas, malabaristas, equilibristas, palhaços, etc.

Nunca na história desse país houve tantos camelôs nas ruas. Se alguém dissesse essa frase não seria nenhum visionário, estaria apenas constatando fatos.

Nos engarrafamentos constantes, eles vão surgindo aos poucos, e em instante, são incontáveis. Tudo que você imaginar eles têm pra vender. Poder ser uma cervejinha gelada, água, biscoitos, pipocas, cuscuz, tapiocas, bombons, balas, cocadas, tapetes, flanelas, adesivos, perfumes, protetores de volante, limpadores de pára-brisa, e outras coisas mais. Na Linha Vermelha, os pontos de venda já são até demarcados. Famílias inteiras aportam à beira da avenida com suas mercadorias. Como diz Gê, um dos camelôs: “Às vezes, consigo arrecadar até dois salários mínimos, cerca de R$ 1.000,00, por mês”.

Hércules, um paraplégico, vítima de paralisia infantil, trabalha no sinal da rua Conde de Bonfim, na Tijuca, há quinze anos. Não tem feriado, não tem dia santo, faça chuva ou faça sol, todos os dias ele está lá, de bate pronto. “Suas balinhas de café, de tamarindo, de hortelã ou de mel adoçam a boca de minhas filhas já faz tempo”, diz um taxista de passagem naquele momento pelo local.

“Depois de muitas lutas, muitas idas e vindas, e muitas passagens por juntas médicas da previdência social, sempre sendo reprovado, consegui na justiça, o direito à aposentadoria como deficiente físico, o que me rende cerca de R$ 500,00, a mais, todo mês. Com mais alguns reais, que consigo no sinal, com minhas balinhas, dá para levar a vida numa boa e até ser feliz”, diz. “Tenho mulher e filhos pra dar de comer”, acrescenta. Perguntei-lhe, se fica aborrecido quando os carros não lhe abrem a janela, o que ele prontamente respondeu: “Não, claro que não, se eles não abrem a janela é porque o ar refrigerado foge e esquenta o interior do veículo”, justificou.

Sorriso é morador de Abolição, mas é quase impossível encontrá-lo por lá. Para uma conversa e algumas fotos, tive de “caçá-lo” na zona sul, mas precisamente no Posto Cinco em Copacabana. O cara é um artista! Um bom vivant! Pensei com meus botões: óculos escuros, boné, bermuda, camiseta sport wear, um chinelão e um sorrisão largo na cara. Um artista, e dos bons, na arte de viver e vender quinquilharias. O seu outdoor ambulante vende adesivos para todos os gostos. Para torcedores: o adesivo do seu clube favorito. Para os devotos religiosos: “Jesus te Ama”. Para a sogra: “A sua língua é igual à escada rolante, sem fim”. Para os machões: “Nóis capota mas num breca” e ou, “Não sou sapo mas adoro perereca”. Para os apressadinhos: “Calma corno”. Para a realidade social: “Filho de rico é playboy e filho de pobre é motoboy”.

“Nunca na história desse país, um cara como eu, lá da Zona norte, conseguiu ganhar tanto dinheiro que dá até para alugar uma vaga num apê (apartamento), aqui em Copa (Copacabana), com direito a tomar banho de ducha, café da manhã, ver TV e outras mordomias mais”, acrescenta.