Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Jota Junior

Pode ser que os povos da mata ao adentrar na floresta urbana, talvez não se sintam tão estranhos assim, afinal ambas as selvas estão cada vez mais próximas por conta da diminuição constate dos limites e da identificação entre seus animais.

Há de se observar que na floresta urbana os animais estão quase sempre disfarçados, e na outra, colonizados, humanizados.

Os animais da floresta urbana ocultam seus cheiros, odores, com variados tipos de outros cheiros, chamados perfume. Camuflam suas peles com vestimentas das mais diversas origens, dos mais diversos tipos de tecidos e cores, alguns confeccionados de couros ou peles de outros animais, como jacarés, ursos, onças, cobras e etc… Mas mesmo em sua maioria disfarçados, é possível percebê-los como são.

No ritmo alucinante da correria do dia-a-dia da cidade, quando esses seres considerados humanos se esbarram em outro, é comum o seguinte diálogo: “vai cavalo”, diz um. O que o outro prontamente responde: “sai da frente sua perua”, e assim por diante…

Não dá para se ter a noção exata se os personagens são um homem e uma mulher, pois o diálogo direciona para um cavalo, macho da espécie égua, e uma perua, fêmea da espécie peru.

Certa vez presenciei dois rapazes comentando ao ver passar uma moça e uma senhora, que pareciam ser mãe e filha: “Que gatinha”, disse um deles, e logo o outro retrucou, “mas repara a mãe é uma baleia”, sim, concordou com o primeiro, mas acrescentou: “Talvez seja melhor ser uma baleia do que ser uma jararaca, como a minha sogra”, acrescentou.

Tive um pouco de dificuldade de entender o diálogo: Como pode uma baleia ter uma filha gatinha e um ser humano ter uma sogra jararaca, um réptil. Será que ele se casou ou namora com uma cobra? Já que filho de peixe peixinho é!

No mesmo instante, numa outra cena, um rapaz passou pelo outro e o cumprimentou amistosamente: “fala aí bicho”.

Já vi muitos bichos falantes: em filmes de desenhos animados, em atrações circenses, em teatros de mamulengos, mas na vida real… A não ser que se trate de um papagaio, mas o sujeito nem verde era…

Comecei a achar que estava meio perdido nesta miscelânea e precisava me localizar. Cada vez mais estava me convencendo que realmente habito uma floresta, embora seja uma floresta urbana. Minha certeza se fundamenta quando ligo o rádio do carro e ouço: “Eu sou o negro gato de arrepiar, e esta minha vida é mesmo de amargar…”, em seguida: “Uma moça bonita de olhar agateado deixou em pedaços o meu coração, uma onça pintada e o seu tiro certeza deixou os meus nervos de aço no chão…”, Na sequencia:  Tô Doidão! Tô Doidão! Bicho! Tô doidão! Tô Doidão! Tô Doidão! Bicho! Tô doidão! Bicho! Tô doidão!…”.

Nesta selva que ao que parece, é o habitar natural do homem e também de outros animais, há de se prestar muito atenção para que não se compre gato por lebre. Pois em rio que tem piranha, jacaré nada de costa. Mas vejo com certa injustiça o dito popular que diz que esse cara é a imagem do cão: coitadinho do cão, não é? E outras ditadas, como: vai pagar mico? Seria legal deixar o mico na dele, lá na floresta dele, não acham? Então, esse cara é mesmo cobra. Como tem bichos de todo tipo, vai lá… Todavia, tomara que não dê zebra! Fiquemos então atentos ao que diz a Bíblia, quando nos chama atenção para: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” (Mateus 7:15).

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As Empreguetes ou Cheias de Charme?

Taís Araújo

Taís Araújo

 

A atriz Tais Araújo, como sempre linda, a ex-empreguete, agora desempreguete, a Cheia de Charme da novela que parou o Brasil e que ficou conhecida como as Empreguetes, falou no Festival Internacional de Televisão.

A trama que propositalmente ou não, acabou por denunciar a realidade do universo do trabalhador doméstico, que são cerca de 13 milhões no Brasil, e que ainda hoje, em sua maioria, ainda sofrem maus tratos, trabalham sem receber direitos trabalhistas, e em alguns casos, sem nem mesmo ter a carteira assinada.

A interatividade e mobilidade social da Internet propiciou grande sucesso ao clipe da novela e acabou por incluir o telespectador no processo. De acordo com Taís: “você se empresta e se transmite através dos conteúdos que você interage, a Internet veio para dentro da novela através da interação, somando ideias e termos como, as empreguetes, as cachorretes, e depois as desempreguetes, e popularizou as periguetes”.

Segundo Filipe Miguez, um dos autores da trama, “Cheias de Charme foi uma novela internética, de estética penetrável, onde metade da obra foi composta de sugestões dos telespectadores e dos internautas”.

Como sabemos, a Internet une todo mundo através do facebook, do twitter, cada um na sua casa, unidos pela sala virtual. “Cheias de Charme foi uma novela que se passou na cozinha, uma homenagem ao trabalhador domestico como parte da família”, acrescentou Izabel de Oliveira, também autora da novela.

A volta das empreguetes, Cheias de Charme!

Segundo fontes seguras, devido ao grande sucesso da ficção, a TV Globo estuda diversas possibilidades de dar continuidade ás Empreguetes, seja através da realização de um filme de longa metragem, com o título: As empreguetes, a produção de um seriado, o lançamento da novela em DVDs, e também o lançamento de produtos: como a boneca das personagens, As empreguetes.

No mundo real, o sucesso da novela também propiciou ás empregadas domesticas certa valoração em sua autoestima e muitas adotaram o termo empreguete, como uma grande homenagem – um holofote purpurinado, que como consequência causou o aumento de carteiras assinadas, que hoje, nas capitais é de apenas 30%, no Amazonas, apenas 10%. Segundo Tais, “O maniqueísmo meteu o dedo na ferida e não doeu, fez cosquinhas e todo mundo brincou, sorriu, e achou até bom”.

A revelação

Pouca gente sabe que houve uma mudança de rumo na novela: “cada empreguete seguiria seu rumo, não voltariam a se juntar, mas o sucesso do grupo, e o apelo do público as uniu novamente”, afirma Miguez.

De real, o que se sabe de fato é que, Chayene, Socorro e as Empreguetes vão participar do especial de fim de ano de Roberto Carlos.

O especial, cuja gravação aconteceu no dia 21 de novembro, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, tem exibição prevista para 25 de dezembro, Na TV Globo, após Salve Jorge.

Da ficção para a realidade, da periferia para a Central Globo de Produção: empreguete boa sabe o que tem que fazer para conseguir o que quer. Determinadas que são as Empreguetes Cida (Isabelle Drummond), Rosário (Leandra Leal), Penha (Tais Araújo), além de Chayene (Cláudia Abreu) e Socorro (Titina Medeiros) darão um jeito de se esconder dentro do camarim de Roberto Carlos quando descobrirem que o ídolo está atrás da porta ao lado. Flagradas, é um tal de puxão pra cá, gritos para lá e uma disputa acirrada pela oportunidade única de fazer um dueto com o Rei. Caberá a Roberto Carlos apaziguar a disputa e cantar com elas “É Meu, é Meu, é Meu”.

Por onde anda Emmanuel Cavalcante, o Cavaca, um contador de histórias?

Emmanuel Cavalcante – O Cavaca

Por Jota Junior

Faz uns 3 anos que tive o prazer de entrevistá-lo nas dependências do Centro Técnico Audiovisual – CTAv. Na ocasião, numa conversa de em torno de 2 horas, momento em que ele também finalizava o seu filme: Edvaldo Gato – Artista Plástico da Bahia, visitamos algumas das dependências do Centro, entre elas: a sala de animação, a sala de trucagens, e terminamos a conversa no estúdio de mixagem. Cavaca de forma bastante eufórica e entusiástica falava de tudo, mas principalmente de cinema, de política, de cultura de um modo geral e do Brasil.

Dono de um invejável currículo de prestação de serviços a nação, através de suas muitas facetas, é difícil entender porque o Brasil não o homenageia como ele merece.

Veja a síntese da conversa e tire suas próprias conclusões!

Haja Fôlego!

Emmanuel Cavalcante, mais conhecido como Cavaca, aos 72 anos de idade e 42 de profissão, já perdeu as contas em quantos filmes atuou. Conta com orgulho suas atuações em Bye Bye Brasil (1979), Quilombo (1984), ambos dirigidos por Cacá Diegues; Amuleto de Ogum (1974), Tenda dos Milagres (1977), do diretor Nelson Pereira dos Santos; Terra em Transe (1967), O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha, entre muitas outras atuações, em filmes de curtas, médias e longas metragens que participou, seja como ator, diretor, assistente, roteirista, etc. Atuou no teatro na época das grandes companhias. Como compositor foi parceiro de Alceu Valença no Romance da Moreninha, escreveu livros, fez poesias, e ainda quer fazer muito mais!

“Um contador de histórias”

O animado Cavaca fala de sua atuação no cinema, no teatro, na música, na literatura, que no fundo são veículos de se contar histórias. Ele se acha um verdadeiro contador de histórias, um homem de conversa, que sabe incorporar um personagem, contar, narrar. Do apelido Cavaca, diz: “Ah! Isto aconteceu, quando eu comecei a filmar muitos documentários lá na Bahia, e surgiu isso da Turma do Siri, o Agnaldo Azevedo, onde tinha o Gato, o Ângelo, o Waguinho, o Jeová de Carvalho, falecido Pastore. Na Bahia ninguém sai imune de um apelido”, assegura.

O emociona falar sobre ter trabalhado com Glauber Rocha, que segundo ele é um dos nossos cineastas de reconhecimento internacional, que estaria fazendo setenta e um anos agora. “Primeiro foi Terra em Transe, que pra mim é um dos maiores filmes da história do cinema brasileiro. Terra em Transe é o maior filme político, é uma avaliação do pensamento político dentro da linguagem do cinema. É o maior de todos. É uma pulsação emocional e filosófica sobre o que o povo brasileiro vem passando desde o início da implantação civilizatória”, diz.

“O Dragão da Maldade é o pulo do gato de Glauber Rocha. Glauber fez Deus e o Diabo na Terra do Sol que foi o maior sucesso do cinema brasileiro no mundo. É o filme mais conhecido mundialmente de todo cinema realizado aqui na América do Sul, no Brasil”, afirma. “Glauber trouxe o Antonio das Mortes para uma nova leitura dentro do pensamento político. Ele mudou por completo no Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, a forma de narrar. Ele utilizou o teatro popular, o candomblé, e acima de tudo a dança negra. O filme é um sincretismo completo”, afirma.

A fotografia no cinema.

Com relação á fotografia no cinema, cita o renomado ator e cineasta Zózimo Bulbul, que por diversas oportunidades, disse que o cinema mundial não conseguiu evoluir a questão da luz na fotografia, principalmente para o ator negro. “A questão do confronto da sombra com uma luz mais intensa dá sempre um problema muito pouco resolvido. Nos estúdios americanos os atores negros, os galãs negros são muito bem trabalhados e há o equilíbrio de luz para você nivelar a luz com a sombra. O Zózimo está coberto de razão”, afirma. “Eu filmei com o Zózimo vários filmes, e o Zózimo ficava revoltado”, assegura. “Mas o fotógrafo vai me deixar aqui invisível?”, perguntava.

“Então, o José Medeiros fazia a medição da luz em torno do negro, que é o correto, a luz batia no negro, não estourava lá no fundo e ficava muito bonito. Se você parte da sombra para a luz, tem que valorizar a sombra. Este achado foi feito aqui no Brasil por Hélio Silva. O Edgard Brasil também começou a fazer isto, mas quem depurou isto de uma forma gigantesca, que chegou á linguagem perfeita foi o Zé Medeiros” explica.

O audiovisual e o cinema digital.

Em sua larga vivência no cinema, da película ao digital, Cavaca vivenciou o processo e com a autoridade da vivência, constata: “o campo é difícil de ser equacionado por causa das compreensões. O resultado da película é inigualável. Mas a necessidade tecnológica, o avanço, foi um grande benefício. Eu que fui um homem do celulóide, fui convencido que a tecnologia está se aproximando dos resultados do celulóide, mas não chegamos a isso ainda, é difícil, é uma transição, como foi do cinema mudo para o cinema sonoro, do preto e branco para o colorido… São processos que vão se aperfeiçoando. Então, a tecnologia não é um resultado imediato, é um processo constante”, defende.

Edvaldo Gato – Artista Plástico da Bahia

“Estou bastante esperançoso com relação ao meu novo filme: Edvaldo Gato – Artista Plástico da Bahia. É um filme experimental, maravilhoso. Gato é um dos maiores artista plástico do nosso povo, é xilógrafo, ilustrador de livros, é carnavalesco, é tapeceiro, é um homem de sete instrumentos na arte. Então, o filme é abrangencial sobre a alma de um artista até onde ela pode se estender”, argumenta.

É uma vergonha!

Refletindo sobre a cultura no Brasil, Cavaca é enfático, e afirma ser uma vergonha o tratamento dado á Cultura e o orçamento pífio do Ministério.

“É preocupante e vergonhoso, a Cultura no Brasil: as autoridades, os mandatários viraram as costas para a cultura do povo brasileiro. Nossas necessidades culturais são muito grandes: feijão, arroz, carne, frango, sapato, roupa e instrução, tudo é necessário, e a cultura é um complemento dessa alimentação orgânica, é a necessidade da alimentação espiritual e intelectual. Como é que um Ministério de Cultura vive á deriva? Como é que o Ministério da Cultura só tem direito a 1% do PIB? Isso é um crime, porque é a demonstração de que os Governos, todos os governos implantados no Brasil, não têm qualquer interesse pelo grande veiculo cultural. Ninguém sabe, mas eu desconfio que isto seja um projeto político externo para fazer com que o povo brasileiro não tenha uma subida muito grande na sua própria expressão. Nós somos um mercado ocupado culturalmente, mais do que nunca a lixeira mundial é despejada aqui, sem que nós tenhamos recursos para contrabalançar isto, fazer uma competição por igual” argumenta.

“Está faltando conscientização”

“Eu considero este momento muito triste, por que foi feita a desmobilização. Pra gente redemocratizar o país nós trabalhamos imensamente a conscientização. A população brasileira foi mobilizada para um projeto democrático, havia todo um programa do que ia ser esta democratização em todo território nacional, e as discussões nos sindicatos, nas próprias casas, nas repartições. A sociedade brasileira tomou conhecimento que devia participar de um novo momento para as suas vidas. Ai o que aconteceu? Vitoriosa a questão, veio um desmonte, devagar, muito malandro, muito safado. Fosse naquela época onde havia uma mobilização, um interesse coletivo, teria milhões de pessoas nas ruas do Brasil, exigindo uma tomada de posição. Mesma coisa que se faltasse feijão no supermercado e arroz, todo mundo ia dizer quero comer, quero comer, quero comer, e alguém ia ter que plantar e trazer comida” conclui.

 A entrevista foi realizada em março de 2009.