BONITINHA, MAS ORDINÁRIA ESTRÉIA NO CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL

BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

Bonitinha, mas odinária

Bonitinha, mas odinária

NO CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL.

A encenação utiliza filmes de animação para destacar a poesia do texto de Nelson Rodrigues

Após encenar “Valsa nº6”, com uma boneca no papel título, a Cia Teatro Portátil estreia um novo espetáculo. “Bonitinha, mas Ordinária”, nasceu do desejo da companhia de dar continuidade à pesquisa sobre a dramaturgia de Nelson Rodrigues. Com direção de Alexandre Boccanera, a peça estará em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, a partir de 21 de janeiro até 1º de março, de quarta a domingo às 19h30.

“Bonitinha, mas Ordinária”, escrita em 1962, é uma reflexão obsessiva sobre a condição humana e as possibilidades do homem de mudar a realidade e transformar sua história.  A partir de um enredo folhetinesco, acompanhamos a trajetória de Edgard (Guilherme Miranda), um ex-contínuo que recebe uma proposta irrecusável de subir na vida, casando-se com Maria Cecília (Julia Schaeffer), filha do seu patrão, o Dr. Werneck (Marcello Escorel). Ele precisará revisar suas convicções, já que é apaixonado por Ritinha (Elisa Pinheiro), sua vizinha, uma menina pobre que faz de tudo para sustentar a mãe e as irmãs mais novas. Atormentado pela frase “o mineiro só é solidário no câncer”, atribuída na peça ao escritor Otto Lara Resende, Edgard confronta sua ambição com seus princípios éticos.

A pesquisa sobre a linguagem da animação, que permeia a trajetória da Cia Teatro Portátil, estará presente em filmes e ilustrações que apoiam a narrativa e ressaltam a poesia do texto. “Buscamos valorizar a essência poética da palavra de Nelson. Nosso maior interesse é estabelecer uma comunicação direta com os espectadores permitindo que o público perceba como esse grande autor brasileiro permanece vivo e sua fala dialoga com a atualidade”, destaca o diretor Alexandre Boccanera.

Os filmes de animação foram criados especialmente para o espetáculo por uma dupla de animadores paulistas, atualmente radicada no Canadá, Beatriz Carvalho e Diogo Nii Cavalcanti, parceiros da companhia desde a montagem de “Valsa nº6”.

Neste novo projeto, contemplado com o Programa de Fomento à Cultura Carioca da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, a Cia Teatro Portátil celebra dez anos de existência, abrindo espaço para artistas convidados, trocando experiências e renovando seu olhar sobre o fazer teatral.

 

COMPANHIA TEATRO PORTÁTIL

Há dez anos, sediada na cidade do Rio de Janeiro, a Cia Teatro Portátil desenvolve uma pesquisa continuada sobre o teatro de animação e a cena contemporânea. Um trabalho de reflexão e experimentação que busca misturar diferentes linguagens. Com o material dessa pesquisa, criou os espetáculos “2 Números”, “As Coisas” e “Valsa N°6” e se apresentou em mais de 50 cidades no Brasil e no exterior, alcançando uma plateia de aproximadamente 100.000 espectadores.

“2 Números”, montado com apoio do Programa de Bolsas Vitae de Artes, estreou em 2005 e desde então foi apresentado no 13° Festival Internacional do Mindelo – Cabo Verde em 2005, na 7° Mostra Cariri das Artes promovida pelo Sesc Ceará em 2005, no 3° Intercâmbio de Linguagens realizado no Rio de Janeiro em 2005, no 13° Porto Alegre em Cena em 2006, no 6° Festival de Formas Animadas de Jaraguá do Sul/SC em 2006, no 1° Seminário de Estudos sobre Teatro de Animação realizado em Rio do Sul/SC em 2006, na 6°Mostra Sesc/CBTIJ de Teatro promovida pelo Sesc Rio de Janeiro em 2006, no 16° Festival Espetacular de Bonecos de Curitiba promovido pelo Teatro Guaíra em 2007, no 20° Festival del Sur / Ilhas Canárias – Espanha em 2007, no 9° Festival Internacional de Bonecos de Belo Horizonte em 2008, no 2° FITA Floripa– Festival Internacional de Teatro de Animação de Florianópolis/SC em 2009, na 9° Mostra Sesi de Teatro de Bonecos e Formas Animadas promovida pelo Sesi SP em 2009, no 13º Festival Internacional de Títeres de Santiago de Compostela – Espanha em 2008, no FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto em 2009 e na Mostra Sesc de Animação/SP em 2011. O espetáculo esteve em cartaz no Teatro de Arena da Caixa Cultural do Rio de Janeiro em 2008, no SESC Avenida Paulista em 2009, no Teatro da Caixa Cultural de Curitiba em 2010, no Sesc Santo Amaro/SP em 2011 e no Teatro Fashion Mall/RJ em 2014.

“As Coisas”, produzido com patrocínio do Banco do Brasil, estreou em abril de 2010 e esteve em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília e Rio de Janeiro. Em 2011, o espetáculo integrou a programação do 5º FITA Floripa – Festival Internacional de Teatro de Animação de Florianópolis/SC. Em 2012, foi contemplado com o FATE – Fundo de Apoio ao Teatro da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e reestreou no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Em 2013, integrou a programação da Mostra Sesc de Teatro de Animação/SP e esteve em cartaz no Teatro Fashion Mall/RJ. Em 2014, esteve em cartaz no Teatro do Leblon/RJ e no Imperator – Centro Cultural João Nogueira/RJ.

“Valsa N°6” montagem contemplada com o FATE – Fundo de Apoio ao Teatro, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro estreou em 2012, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Em janeiro de 2013, esteve em cartaz no Teatro de Arena da Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Foi selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2013/2014 e contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2013 para circular por diversos estados brasileiros.

A Cia Teatro Portátil é formada por Alexandre Boccanera, Ana Moura, Flávia Reis, Guilherme Miranda, Julia Schaeffer e Laura Collor.

 

ALEXANDRE BOCCANERA

Formado em direção teatral na Universidade do Rio de Janeiro, em dança contemporânea na Escola Angel Vianna e na London Contemporary Dance School. Foi bolsista do Programa de Bolsas Vitae de Artes. Trabalhou com importantes diretores do teatro brasileiro como Luis Antônio Martinez Correa, Bia Lessa, Moacir Chaves e João Falcão. É fundador e diretor da Cia Teatro Portátil, dirigiu os espetáculos “2 Números”, “As Coisas” e “Valsa Nº 6”.

 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Nelson Rodrigues

Direção: Alexandre Boccanera

Elenco: Ana Moura, Anderson Cunha, Cláudio Gardin, Elisa Pinheiro, Guilherme Miranda, Julia Schaeffer, Laura de Castro, Marcello Escorel, Márcio Freitas e Morena Cattoni.

Co-direção: Duda Maia

Direção Musical e Trilha Sonora: Guilherme Miranda

Cenografia: Mina Quental

Figurino: Patricia Muniz

Filmes de Animação: Beatriz Carvalho e Diogo Nii Cavalcanti

Iluminação: Aurélio de Simoni

Preparação Corporal e Direção de Movimento: Joana Ribeiro e Marito Olsson-Forsberg

Preparação Vocal: Ana Frota

Assistente de Direção: Márcio Freitas

Realização: Cia Teatro Portátil

Produção: Boccanera Produções Artísticas

Produção Executiva: Alessandra Azevedo

 

SERVIÇO:

Espetáculo: Bonitinha, mas Ordinária.

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro) –

Teatro III

Telefone para informações: (21) 3808-2020.

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Estreia: 21 de janeiro, às 19h30

Temporada: 21 de janeiro a 1º de março

Horários: de quarta a domingo, às 19h30.

Capacidade: 40 pessoas.

Classificação etária: 16 anos.

Duração: 75 min.

Gênero: Tragédia Carioca

Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

Crônica dos bichos da selva e da floresta urbana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Jota Junior

Pode ser que os povos da mata ao adentrar na floresta urbana, talvez não se sintam tão estranhos assim, afinal ambas as selvas estão cada vez mais próximas por conta da diminuição constate dos limites e da identificação entre seus animais.

Há de se observar que na floresta urbana os animais estão quase sempre disfarçados, e na outra, colonizados, humanizados.

Os animais da floresta urbana ocultam seus cheiros, odores, com variados tipos de outros cheiros, chamados perfume. Camuflam suas peles com vestimentas das mais diversas origens, dos mais diversos tipos de tecidos e cores, alguns confeccionados de couros ou peles de outros animais, como jacarés, ursos, onças, cobras e etc… Mas mesmo em sua maioria disfarçados, é possível percebê-los como são.

No ritmo alucinante da correria do dia-a-dia da cidade, quando esses seres considerados humanos se esbarram em outro, é comum o seguinte diálogo: “vai cavalo”, diz um. O que o outro prontamente responde: “sai da frente sua perua”, e assim por diante…

Não dá para se ter a noção exata se os personagens são um homem e uma mulher, pois o diálogo direciona para um cavalo, macho da espécie égua, e uma perua, fêmea da espécie peru.

Certa vez presenciei dois rapazes comentando ao ver passar uma moça e uma senhora, que pareciam ser mãe e filha: “Que gatinha”, disse um deles, e logo o outro retrucou, “mas repara a mãe é uma baleia”, sim, concordou com o primeiro, mas acrescentou: “Talvez seja melhor ser uma baleia do que ser uma jararaca, como a minha sogra”, acrescentou.

Tive um pouco de dificuldade de entender o diálogo: Como pode uma baleia ter uma filha gatinha e um ser humano ter uma sogra jararaca, um réptil. Será que ele se casou ou namora com uma cobra? Já que filho de peixe peixinho é!

No mesmo instante, numa outra cena, um rapaz passou pelo outro e o cumprimentou amistosamente: “fala aí bicho”.

Já vi muitos bichos falantes: em filmes de desenhos animados, em atrações circenses, em teatros de mamulengos, mas na vida real… A não ser que se trate de um papagaio, mas o sujeito nem verde era…

Comecei a achar que estava meio perdido nesta miscelânea e precisava me localizar. Cada vez mais estava me convencendo que realmente habito uma floresta, embora seja uma floresta urbana. Minha certeza se fundamenta quando ligo o rádio do carro e ouço: “Eu sou o negro gato de arrepiar, e esta minha vida é mesmo de amargar…”, em seguida: “Uma moça bonita de olhar agateado deixou em pedaços o meu coração, uma onça pintada e o seu tiro certeza deixou os meus nervos de aço no chão…”, Na sequencia:  Tô Doidão! Tô Doidão! Bicho! Tô doidão! Tô Doidão! Tô Doidão! Bicho! Tô doidão! Bicho! Tô doidão!…”.

Nesta selva que ao que parece, é o habitar natural do homem e também de outros animais, há de se prestar muito atenção para que não se compre gato por lebre. Pois em rio que tem piranha, jacaré nada de costa. Mas vejo com certa injustiça o dito popular que diz que esse cara é a imagem do cão: coitadinho do cão, não é? E outras ditadas, como: vai pagar mico? Seria legal deixar o mico na dele, lá na floresta dele, não acham? Então, esse cara é mesmo cobra. Como tem bichos de todo tipo, vai lá… Todavia, tomara que não dê zebra! Fiquemos então atentos ao que diz a Bíblia, quando nos chama atenção para: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” (Mateus 7:15).

Galeria

Vá ao Jardim Botânico e veja com os teus próprios olhos! – Álbum de fotos

Esta galeria contém 40 imagens.

Vá ao Jardim Botânico e veja com os teus próprios olhos

Jardim Botânico - Rio de Janeiro

Jardim Botânico – Rio de Janeiro

Por Jota Junior,

Vá ao Jardim Botânico e veja com os teus próprios olhos!

O espírito ecológico persiste. Quer encontra-lo? Vá ao Jardim Botânico. Depois de mais de duzentos anos de existência, o experiente ancião, localizado no Rio de Janeiro, sobreviveu e testemunhou muitas histórias vividas e/ou contadas nas sombras de seus arboredos. Vejamos um exemplo: você sabia que foi com o objetivo de aclimatar as especiarias vindas das Índias Orientais, que ele foi criado em 13 de junho de 1808, por D. João, Príncipe Regente na época, e mais tarde D. João VI, e que foi chamado de O Jardim da Aclimação, e posteriormente batizado de Jardim Botânico? Pois é, foi com a ameaça da invasão das tropas de Napoleão Bonaparte em Portugal que a nobreza portuguesa mudou-se para o Brasil e instalou a sede do governo no Rio de Janeiro. Entre outros benefícios, a cidade ganhou uma Fábrica de Pólvora, construída no antigo Engenho de Cana de Açúcar de Rodrigo de Freitas. Conta a lenda, que D. João encantado com a exuberância da natureza do lugar instalou o jardim, que em 11 de outubro do mesmo ano passou a ser chamado de Real Horto, e suas primeiras plantas chegaram aqui vindas das ilhas Maurício, do Jardim La Pamplemousse, por Luiz de Abreu Vieira e Silva, que as ofereceu a D. João. Entre elas, estava a Palma Mater.

Hoje, em pleno ano de 2013, apesar dos muitos percalços ocorridos durante a sua trajetória, haja vista alguns embates noticiados pela imprensa recentemente, sobre questões de apropriações e/ou desapropriações de moradores no seu interior ou arredores, o Jardim permanece lá, firme e forte! Ás vezes um pouco mais firme, outras um pouco mais forte, outras nem tanto o mar, nem tanto a terra.

Deixando de lado os entretantos, e indo direto aos finalmentes, a verdade é que, apesar dos muitos pesares, quem visita o Parque, pode ser tomado por sentimentos de tranquilidade, de bem-estar, de descanso e grande contemplação. Pode apreciar a paisagem, que poderá despertar emoções agradáveis. Não se deve perder também a oportunidade de se observar plantas e animais, ouvir o murmúrio das águas que descem das montanhas e suavemente são encaminhadas por canais e cascatas.

Há de se levar em conta, e aproveitar também, o momento em que vivemos de farta contemplação ecológica, muito embora, a questão seja tratada num âmbito muito mais político, que de fato. Não é de ser surpreender a afirmação de Roquette-Pinto (1933) onde afirmou que, “o frei recebeu um parque de diversões, deixou um horto científico” (Frei Leandro do Santíssimo Sacramento, 1778-1829).

Recentemente, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro, teve como objetivo a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.

A Rio+20, assim conhecida, porque marcou os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e contribuiu para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. Entretanto, segundo algumas avaliações, não alcançou os seus objetivos.

Blá-blá-blás expostos, para compensá-los, que tal sentar á sombra de uma árvore e apreciar nosso álbum de fotos. São belas imagens do monumento ao Frei Leandro entre outras… Depois vá lá! Esta é uma possibilidade histórica. Mas há outras possibilidades: como o lazer, o entretenimento, o bem estar e a cultura ecológica em toda sua plenitude. Fato é que O Jardim Botânico tem papel relevante tanto em pesquisas, como na conservação de espécies e no intercâmbio de material vegetal.

Aberto à visitação pública após 1822, o Jardim teve muitos visitantes ilustres: entre eles: Einstein, a Rainha Elisabeth II do Reino Unido e muitos outros. Agora só falta você!

O arboreto científico (parque) está aberto aos visitantes de segunda a domingo, durante todos os dias do ano, excetuando-se 25 de dezembro, 1 de janeiro e momentos específicos de horários adotados pela Presidência do Instituto. O horário normal de visitação é das 8h às 17h, com prorrogação de uma hora para o fechamento das bilheterias no período de horário de verão. Para mais informações, ligue para o Centro de Visitantes – Telefone: +55 (21) 3874-1808 / 3874-1214 ou acesse: http://www.jbrj.gov.br/arboreto/index.htm

Planta que come inseto

O Jardim Botânico acaba de ganhar um lote de 251 plantas carnívoras. São 32 variedades, algumas inéditas no parque, como a Drosera madagascariensis, a Stylidium debire e a Sarracenia psittaceina. Uma parte do lote será exposta ao público na estuafa das insetívoras, enquanto outra parte ficará abrigada no Horto Florestal, em sistema de rodízio.

Roque & Terezinha enchem de tradição e de alegrias as feiras e praças do país

Roque e Terezinha

Roque e Terezinha

Roque José e Terezinha, a dupla de emboladores nordestinos, conhecidos como mestres da arte do improviso, há mais de 16 anos perambulam pelo país, alegrando plateias em praças e feiras, com suas poesias e rimas improvisadas sobre temas variados.

Artistas mambembes, nômades por natureza, estão sempre na estrada, e levam bem á sério a máxima: “todo artista tem de ir onde o povo está”.

Como eles dizem: “desde 2003, sempre cumprimos temporadas curtas no Distrito Federal, tendo como referência a Casa do Cantador, em Ceilândia, onde ficamos hospedados, geralmente por alguns meses, é a nossa casa” afirmam. “A nossa segunda casa é o Rio de Janeiro”, complementam.

De fato esta ordem não está tão exata, mas como a ordem dos fatores não altera o produto…

A dupla na verdade começou sua carreira de sucessos no Rio de Janeiro, no Largo da Carioca propriamente dito. Foi lá que depois de muitas caronas, atravessando o Brasil cantando, passando por Alagoas, Bahia, São Paulo etc., que Roque encontrou Terezinha cantando com a irmã Lindalva. Roque cantou algumas coisas com Terezinha e sob os mesmos signos as coisas se encaixaram perfeitamente, num momento que a dupla das irmãs já estava bastante desgastada por conta de algumas brigas… Como conta Terezinha: “Minha irmã me bateu na Casa do Cantador, em Brasília, tivemos uma discussão muito grande, e ficou difícil a continuação da dupla…, então, eu fiquei muito desgostosa com ela e falei, nós pode ser irmã, nós podemos ser amigas, mas prá nós duplar, nunca mais. Então ela se desgostou vendeu a casa dela e foi morar em João Pessoa”. Na época ela morava no Rio de Janeiro.

Conhecendo um pouco mais a história da dupla:

Terezinha é o nome artístico de Otília Dantas de Lima, repentista desde os 9 anos de idade. “Meu pai era violeiro e repentista e foi quem me influenciou para que eu seguisse essa carreira. Ainda na infância, comecei a cantar nas praças Gentil Ferreira, do Alecrim e da Ribeira, em Natal. Durante 20 anos, fiz dupla com minha irmã Lindalva. Nós duas cumprimos longa temporada no Rio de Janeiro, morando em São João do Meriti e cantando no Largo da Carioca, na Cinelândia, nas praças XV, Mauá, do Pacificador (em Caxias, na Baixada Fluminense)”, recorda-se.

Terezinha chegou a participar de vários programas de tevê, como os de Flávio Cavalcante, Os Trapalhões, Som Brasil (apresentado por Rolando Boldrin e Lima Duarte), em Hebe Camargo e no Domingão do Faustão. Com 15 filhos, 23 netos e 19 bisnetos, Terezinha fala com carinho de Roque: “Ele é como se fosse um filho para mim. Entendemos-nos bastante. Na roda, ele tira a rima e eu o acompanho”.

Foi igualmente o pai violeiro, Sebastião de Barros, quem incentivou Roque José da Silva a seguir a arte do repente, mas as influências maiores vieram dos conterrâneos Barra do Dia, Rouxinol Pereira e Caju & Castanha. “No começo da adolescência, formei a dupla Melão & Melancia, com meu irmão João José. Cantamos muito nas feiras de Caruaru, Gravatá, Vitória de Santo Antão e Bezerro”, lembra. Com 23 anos, gravou um disco em São Paulo. Logo depois foi para o Rio, pois queria conhecer Terezinha, de quem era fã. “Trabalho com Terezinha há 16 anos e para mim é uma realização, pois sei que estou ao lado de uma grande artista popular”, elogia.

As coisas no início foram bem difíceis, diz Roque: “meu primeiro pandeiro foi um pandeirinho de lata feito pelo meu próprio pai. Fiz minha primeira apresentação para um evento da prefeitura, foi quando ganhei um pandeiro de verdade”.

As feiras no nordeste acontecem sempre ás sextas, sábados e domingos. Roque trabalhava durante a semana e nos finais de semana cantava nas feiras de Caruaru, Palmares, Ribeirão etc., “era eu cantando e meu pai passando o chapéu”, conta.

Por onde passa a dupla de emboladores tem levado a poesia eminentemente popular ao público que os assiste com interesse e admiração. Embora a temática abordada tenha como suporte a herança cultural recebida na região de origem, os amigos — como bons improvisadores — nunca deixam de atender às sugestões de pessoas que os ouvem. Do aspecto físico de quem os provoca às relações amorosas, versejam sobre tudo, inclusive fatos e acontecimentos ligados ao cotidianos à política. “Somos recebidos com carinho em todos o lugares onde temos levado nosso trabalho. As pessoas gostam de ouvir o repente e costumam participar, sugerindo temas para as rimas”, festeja Terezinha, 74 anos, norte-rio-grandense de Currais Novos e Roque, 36 anos, pernambucano de Chã Grande, cidadezinha próxima a Caruaru.

Ao fim de cada cantoria, de no máximo, uma hora de duração, eles passam o pandeiro entre os espectadores que costumam fazer pequenas contribuições. “É com isso que nos mantemos. Fazemos, também, a venda de CDs e dos DVDs, que gravamos no auditório da Casa do Cantador”, explica Roque.

A Dupla custeou e gravou o DVD, graças a um contrato de dois anos que tiveram com o Governo de Brasília, cada obra que era inaugurada a Dupla se apresentava, era Roque e Terezinha e outros artistas. “Estamos nos preparando para gravar outro CD e DVD”, acrescenta.

Os shows são outra fonte de renda de Roque e Terezinha. Já se apresentaram em algumas edições do Maior são João do Cerrado (festa junina fora de época, que ocorre geralmente no mês de agosto, no Ceilambódromo/DF). Ao lado de astros e estrelas da música popular brasileira, como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Alceu Valença, Jorge de Altinho, Frank Aguiar e Banda Calypso.

Assista os vídeos: Roque & Terezinha

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=QPYbB_lTvb4#!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZGpR5RwdkP8

As Empreguetes ou Cheias de Charme?

Taís Araújo

Taís Araújo

 

A atriz Tais Araújo, como sempre linda, a ex-empreguete, agora desempreguete, a Cheia de Charme da novela que parou o Brasil e que ficou conhecida como as Empreguetes, falou no Festival Internacional de Televisão.

A trama que propositalmente ou não, acabou por denunciar a realidade do universo do trabalhador doméstico, que são cerca de 13 milhões no Brasil, e que ainda hoje, em sua maioria, ainda sofrem maus tratos, trabalham sem receber direitos trabalhistas, e em alguns casos, sem nem mesmo ter a carteira assinada.

A interatividade e mobilidade social da Internet propiciou grande sucesso ao clipe da novela e acabou por incluir o telespectador no processo. De acordo com Taís: “você se empresta e se transmite através dos conteúdos que você interage, a Internet veio para dentro da novela através da interação, somando ideias e termos como, as empreguetes, as cachorretes, e depois as desempreguetes, e popularizou as periguetes”.

Segundo Filipe Miguez, um dos autores da trama, “Cheias de Charme foi uma novela internética, de estética penetrável, onde metade da obra foi composta de sugestões dos telespectadores e dos internautas”.

Como sabemos, a Internet une todo mundo através do facebook, do twitter, cada um na sua casa, unidos pela sala virtual. “Cheias de Charme foi uma novela que se passou na cozinha, uma homenagem ao trabalhador domestico como parte da família”, acrescentou Izabel de Oliveira, também autora da novela.

A volta das empreguetes, Cheias de Charme!

Segundo fontes seguras, devido ao grande sucesso da ficção, a TV Globo estuda diversas possibilidades de dar continuidade ás Empreguetes, seja através da realização de um filme de longa metragem, com o título: As empreguetes, a produção de um seriado, o lançamento da novela em DVDs, e também o lançamento de produtos: como a boneca das personagens, As empreguetes.

No mundo real, o sucesso da novela também propiciou ás empregadas domesticas certa valoração em sua autoestima e muitas adotaram o termo empreguete, como uma grande homenagem – um holofote purpurinado, que como consequência causou o aumento de carteiras assinadas, que hoje, nas capitais é de apenas 30%, no Amazonas, apenas 10%. Segundo Tais, “O maniqueísmo meteu o dedo na ferida e não doeu, fez cosquinhas e todo mundo brincou, sorriu, e achou até bom”.

A revelação

Pouca gente sabe que houve uma mudança de rumo na novela: “cada empreguete seguiria seu rumo, não voltariam a se juntar, mas o sucesso do grupo, e o apelo do público as uniu novamente”, afirma Miguez.

De real, o que se sabe de fato é que, Chayene, Socorro e as Empreguetes vão participar do especial de fim de ano de Roberto Carlos.

O especial, cuja gravação aconteceu no dia 21 de novembro, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, tem exibição prevista para 25 de dezembro, Na TV Globo, após Salve Jorge.

Da ficção para a realidade, da periferia para a Central Globo de Produção: empreguete boa sabe o que tem que fazer para conseguir o que quer. Determinadas que são as Empreguetes Cida (Isabelle Drummond), Rosário (Leandra Leal), Penha (Tais Araújo), além de Chayene (Cláudia Abreu) e Socorro (Titina Medeiros) darão um jeito de se esconder dentro do camarim de Roberto Carlos quando descobrirem que o ídolo está atrás da porta ao lado. Flagradas, é um tal de puxão pra cá, gritos para lá e uma disputa acirrada pela oportunidade única de fazer um dueto com o Rei. Caberá a Roberto Carlos apaziguar a disputa e cantar com elas “É Meu, é Meu, é Meu”.

Por onde anda Emmanuel Cavalcante, o Cavaca, um contador de histórias?

Emmanuel Cavalcante – O Cavaca

Por Jota Junior

Faz uns 3 anos que tive o prazer de entrevistá-lo nas dependências do Centro Técnico Audiovisual – CTAv. Na ocasião, numa conversa de em torno de 2 horas, momento em que ele também finalizava o seu filme: Edvaldo Gato – Artista Plástico da Bahia, visitamos algumas das dependências do Centro, entre elas: a sala de animação, a sala de trucagens, e terminamos a conversa no estúdio de mixagem. Cavaca de forma bastante eufórica e entusiástica falava de tudo, mas principalmente de cinema, de política, de cultura de um modo geral e do Brasil.

Dono de um invejável currículo de prestação de serviços a nação, através de suas muitas facetas, é difícil entender porque o Brasil não o homenageia como ele merece.

Veja a síntese da conversa e tire suas próprias conclusões!

Haja Fôlego!

Emmanuel Cavalcante, mais conhecido como Cavaca, aos 72 anos de idade e 42 de profissão, já perdeu as contas em quantos filmes atuou. Conta com orgulho suas atuações em Bye Bye Brasil (1979), Quilombo (1984), ambos dirigidos por Cacá Diegues; Amuleto de Ogum (1974), Tenda dos Milagres (1977), do diretor Nelson Pereira dos Santos; Terra em Transe (1967), O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha, entre muitas outras atuações, em filmes de curtas, médias e longas metragens que participou, seja como ator, diretor, assistente, roteirista, etc. Atuou no teatro na época das grandes companhias. Como compositor foi parceiro de Alceu Valença no Romance da Moreninha, escreveu livros, fez poesias, e ainda quer fazer muito mais!

“Um contador de histórias”

O animado Cavaca fala de sua atuação no cinema, no teatro, na música, na literatura, que no fundo são veículos de se contar histórias. Ele se acha um verdadeiro contador de histórias, um homem de conversa, que sabe incorporar um personagem, contar, narrar. Do apelido Cavaca, diz: “Ah! Isto aconteceu, quando eu comecei a filmar muitos documentários lá na Bahia, e surgiu isso da Turma do Siri, o Agnaldo Azevedo, onde tinha o Gato, o Ângelo, o Waguinho, o Jeová de Carvalho, falecido Pastore. Na Bahia ninguém sai imune de um apelido”, assegura.

O emociona falar sobre ter trabalhado com Glauber Rocha, que segundo ele é um dos nossos cineastas de reconhecimento internacional, que estaria fazendo setenta e um anos agora. “Primeiro foi Terra em Transe, que pra mim é um dos maiores filmes da história do cinema brasileiro. Terra em Transe é o maior filme político, é uma avaliação do pensamento político dentro da linguagem do cinema. É o maior de todos. É uma pulsação emocional e filosófica sobre o que o povo brasileiro vem passando desde o início da implantação civilizatória”, diz.

“O Dragão da Maldade é o pulo do gato de Glauber Rocha. Glauber fez Deus e o Diabo na Terra do Sol que foi o maior sucesso do cinema brasileiro no mundo. É o filme mais conhecido mundialmente de todo cinema realizado aqui na América do Sul, no Brasil”, afirma. “Glauber trouxe o Antonio das Mortes para uma nova leitura dentro do pensamento político. Ele mudou por completo no Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, a forma de narrar. Ele utilizou o teatro popular, o candomblé, e acima de tudo a dança negra. O filme é um sincretismo completo”, afirma.

A fotografia no cinema.

Com relação á fotografia no cinema, cita o renomado ator e cineasta Zózimo Bulbul, que por diversas oportunidades, disse que o cinema mundial não conseguiu evoluir a questão da luz na fotografia, principalmente para o ator negro. “A questão do confronto da sombra com uma luz mais intensa dá sempre um problema muito pouco resolvido. Nos estúdios americanos os atores negros, os galãs negros são muito bem trabalhados e há o equilíbrio de luz para você nivelar a luz com a sombra. O Zózimo está coberto de razão”, afirma. “Eu filmei com o Zózimo vários filmes, e o Zózimo ficava revoltado”, assegura. “Mas o fotógrafo vai me deixar aqui invisível?”, perguntava.

“Então, o José Medeiros fazia a medição da luz em torno do negro, que é o correto, a luz batia no negro, não estourava lá no fundo e ficava muito bonito. Se você parte da sombra para a luz, tem que valorizar a sombra. Este achado foi feito aqui no Brasil por Hélio Silva. O Edgard Brasil também começou a fazer isto, mas quem depurou isto de uma forma gigantesca, que chegou á linguagem perfeita foi o Zé Medeiros” explica.

O audiovisual e o cinema digital.

Em sua larga vivência no cinema, da película ao digital, Cavaca vivenciou o processo e com a autoridade da vivência, constata: “o campo é difícil de ser equacionado por causa das compreensões. O resultado da película é inigualável. Mas a necessidade tecnológica, o avanço, foi um grande benefício. Eu que fui um homem do celulóide, fui convencido que a tecnologia está se aproximando dos resultados do celulóide, mas não chegamos a isso ainda, é difícil, é uma transição, como foi do cinema mudo para o cinema sonoro, do preto e branco para o colorido… São processos que vão se aperfeiçoando. Então, a tecnologia não é um resultado imediato, é um processo constante”, defende.

Edvaldo Gato – Artista Plástico da Bahia

“Estou bastante esperançoso com relação ao meu novo filme: Edvaldo Gato – Artista Plástico da Bahia. É um filme experimental, maravilhoso. Gato é um dos maiores artista plástico do nosso povo, é xilógrafo, ilustrador de livros, é carnavalesco, é tapeceiro, é um homem de sete instrumentos na arte. Então, o filme é abrangencial sobre a alma de um artista até onde ela pode se estender”, argumenta.

É uma vergonha!

Refletindo sobre a cultura no Brasil, Cavaca é enfático, e afirma ser uma vergonha o tratamento dado á Cultura e o orçamento pífio do Ministério.

“É preocupante e vergonhoso, a Cultura no Brasil: as autoridades, os mandatários viraram as costas para a cultura do povo brasileiro. Nossas necessidades culturais são muito grandes: feijão, arroz, carne, frango, sapato, roupa e instrução, tudo é necessário, e a cultura é um complemento dessa alimentação orgânica, é a necessidade da alimentação espiritual e intelectual. Como é que um Ministério de Cultura vive á deriva? Como é que o Ministério da Cultura só tem direito a 1% do PIB? Isso é um crime, porque é a demonstração de que os Governos, todos os governos implantados no Brasil, não têm qualquer interesse pelo grande veiculo cultural. Ninguém sabe, mas eu desconfio que isto seja um projeto político externo para fazer com que o povo brasileiro não tenha uma subida muito grande na sua própria expressão. Nós somos um mercado ocupado culturalmente, mais do que nunca a lixeira mundial é despejada aqui, sem que nós tenhamos recursos para contrabalançar isto, fazer uma competição por igual” argumenta.

“Está faltando conscientização”

“Eu considero este momento muito triste, por que foi feita a desmobilização. Pra gente redemocratizar o país nós trabalhamos imensamente a conscientização. A população brasileira foi mobilizada para um projeto democrático, havia todo um programa do que ia ser esta democratização em todo território nacional, e as discussões nos sindicatos, nas próprias casas, nas repartições. A sociedade brasileira tomou conhecimento que devia participar de um novo momento para as suas vidas. Ai o que aconteceu? Vitoriosa a questão, veio um desmonte, devagar, muito malandro, muito safado. Fosse naquela época onde havia uma mobilização, um interesse coletivo, teria milhões de pessoas nas ruas do Brasil, exigindo uma tomada de posição. Mesma coisa que se faltasse feijão no supermercado e arroz, todo mundo ia dizer quero comer, quero comer, quero comer, e alguém ia ter que plantar e trazer comida” conclui.

 A entrevista foi realizada em março de 2009.