Roque & Terezinha enchem de tradição e de alegrias as feiras e praças do país

Roque e Terezinha

Roque e Terezinha

Roque José e Terezinha, a dupla de emboladores nordestinos, conhecidos como mestres da arte do improviso, há mais de 16 anos perambulam pelo país, alegrando plateias em praças e feiras, com suas poesias e rimas improvisadas sobre temas variados.

Artistas mambembes, nômades por natureza, estão sempre na estrada, e levam bem á sério a máxima: “todo artista tem de ir onde o povo está”.

Como eles dizem: “desde 2003, sempre cumprimos temporadas curtas no Distrito Federal, tendo como referência a Casa do Cantador, em Ceilândia, onde ficamos hospedados, geralmente por alguns meses, é a nossa casa” afirmam. “A nossa segunda casa é o Rio de Janeiro”, complementam.

De fato esta ordem não está tão exata, mas como a ordem dos fatores não altera o produto…

A dupla na verdade começou sua carreira de sucessos no Rio de Janeiro, no Largo da Carioca propriamente dito. Foi lá que depois de muitas caronas, atravessando o Brasil cantando, passando por Alagoas, Bahia, São Paulo etc., que Roque encontrou Terezinha cantando com a irmã Lindalva. Roque cantou algumas coisas com Terezinha e sob os mesmos signos as coisas se encaixaram perfeitamente, num momento que a dupla das irmãs já estava bastante desgastada por conta de algumas brigas… Como conta Terezinha: “Minha irmã me bateu na Casa do Cantador, em Brasília, tivemos uma discussão muito grande, e ficou difícil a continuação da dupla…, então, eu fiquei muito desgostosa com ela e falei, nós pode ser irmã, nós podemos ser amigas, mas prá nós duplar, nunca mais. Então ela se desgostou vendeu a casa dela e foi morar em João Pessoa”. Na época ela morava no Rio de Janeiro.

Conhecendo um pouco mais a história da dupla:

Terezinha é o nome artístico de Otília Dantas de Lima, repentista desde os 9 anos de idade. “Meu pai era violeiro e repentista e foi quem me influenciou para que eu seguisse essa carreira. Ainda na infância, comecei a cantar nas praças Gentil Ferreira, do Alecrim e da Ribeira, em Natal. Durante 20 anos, fiz dupla com minha irmã Lindalva. Nós duas cumprimos longa temporada no Rio de Janeiro, morando em São João do Meriti e cantando no Largo da Carioca, na Cinelândia, nas praças XV, Mauá, do Pacificador (em Caxias, na Baixada Fluminense)”, recorda-se.

Terezinha chegou a participar de vários programas de tevê, como os de Flávio Cavalcante, Os Trapalhões, Som Brasil (apresentado por Rolando Boldrin e Lima Duarte), em Hebe Camargo e no Domingão do Faustão. Com 15 filhos, 23 netos e 19 bisnetos, Terezinha fala com carinho de Roque: “Ele é como se fosse um filho para mim. Entendemos-nos bastante. Na roda, ele tira a rima e eu o acompanho”.

Foi igualmente o pai violeiro, Sebastião de Barros, quem incentivou Roque José da Silva a seguir a arte do repente, mas as influências maiores vieram dos conterrâneos Barra do Dia, Rouxinol Pereira e Caju & Castanha. “No começo da adolescência, formei a dupla Melão & Melancia, com meu irmão João José. Cantamos muito nas feiras de Caruaru, Gravatá, Vitória de Santo Antão e Bezerro”, lembra. Com 23 anos, gravou um disco em São Paulo. Logo depois foi para o Rio, pois queria conhecer Terezinha, de quem era fã. “Trabalho com Terezinha há 16 anos e para mim é uma realização, pois sei que estou ao lado de uma grande artista popular”, elogia.

As coisas no início foram bem difíceis, diz Roque: “meu primeiro pandeiro foi um pandeirinho de lata feito pelo meu próprio pai. Fiz minha primeira apresentação para um evento da prefeitura, foi quando ganhei um pandeiro de verdade”.

As feiras no nordeste acontecem sempre ás sextas, sábados e domingos. Roque trabalhava durante a semana e nos finais de semana cantava nas feiras de Caruaru, Palmares, Ribeirão etc., “era eu cantando e meu pai passando o chapéu”, conta.

Por onde passa a dupla de emboladores tem levado a poesia eminentemente popular ao público que os assiste com interesse e admiração. Embora a temática abordada tenha como suporte a herança cultural recebida na região de origem, os amigos — como bons improvisadores — nunca deixam de atender às sugestões de pessoas que os ouvem. Do aspecto físico de quem os provoca às relações amorosas, versejam sobre tudo, inclusive fatos e acontecimentos ligados ao cotidianos à política. “Somos recebidos com carinho em todos o lugares onde temos levado nosso trabalho. As pessoas gostam de ouvir o repente e costumam participar, sugerindo temas para as rimas”, festeja Terezinha, 74 anos, norte-rio-grandense de Currais Novos e Roque, 36 anos, pernambucano de Chã Grande, cidadezinha próxima a Caruaru.

Ao fim de cada cantoria, de no máximo, uma hora de duração, eles passam o pandeiro entre os espectadores que costumam fazer pequenas contribuições. “É com isso que nos mantemos. Fazemos, também, a venda de CDs e dos DVDs, que gravamos no auditório da Casa do Cantador”, explica Roque.

A Dupla custeou e gravou o DVD, graças a um contrato de dois anos que tiveram com o Governo de Brasília, cada obra que era inaugurada a Dupla se apresentava, era Roque e Terezinha e outros artistas. “Estamos nos preparando para gravar outro CD e DVD”, acrescenta.

Os shows são outra fonte de renda de Roque e Terezinha. Já se apresentaram em algumas edições do Maior são João do Cerrado (festa junina fora de época, que ocorre geralmente no mês de agosto, no Ceilambódromo/DF). Ao lado de astros e estrelas da música popular brasileira, como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Alceu Valença, Jorge de Altinho, Frank Aguiar e Banda Calypso.

Assista os vídeos: Roque & Terezinha

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=QPYbB_lTvb4#!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZGpR5RwdkP8

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Artistas do comércio de rua do Rio de Janeiro – Álbum

 

Artistas do comércio de rua do Rio de Janeiro

Meninos no sinal - malabaristas com bolas

Meninos no sinal – malabaristas com bolas

Por Jota Junior

Quem circula pelo Rio de Janeiro, certamente já se deparou com meninos, homens e mulheres vendendo algo pelos sinais, vias públicas e calçadas. Eles penduram balas nos retrovisores, ensaboam os pára-brisas, e às vezes, até pedem uma moedinha. Há também artistas, malabaristas, equilibristas, palhaços, etc.

Nunca na história desse país houve tantos camelôs nas ruas. Se alguém dissesse essa frase não seria nenhum visionário, estaria apenas constatando fatos.

Nos engarrafamentos constantes, eles vão surgindo aos poucos, e em instante, são incontáveis. Tudo que você imaginar eles têm pra vender. Poder ser uma cervejinha gelada, água, biscoitos, pipocas, cuscuz, tapiocas, bombons, balas, cocadas, tapetes, flanelas, adesivos, perfumes, protetores de volante, limpadores de pára-brisa, e outras coisas mais. Na Linha Vermelha, os pontos de venda já são até demarcados. Famílias inteiras aportam à beira da avenida com suas mercadorias. Como diz Gê, um dos camelôs: “Às vezes, consigo arrecadar até dois salários mínimos, cerca de R$ 1.000,00, por mês”.

Hércules, um paraplégico, vítima de paralisia infantil, trabalha no sinal da rua Conde de Bonfim, na Tijuca, há quinze anos. Não tem feriado, não tem dia santo, faça chuva ou faça sol, todos os dias ele está lá, de bate pronto. “Suas balinhas de café, de tamarindo, de hortelã ou de mel adoçam a boca de minhas filhas já faz tempo”, diz um taxista de passagem naquele momento pelo local.

“Depois de muitas lutas, muitas idas e vindas, e muitas passagens por juntas médicas da previdência social, sempre sendo reprovado, consegui na justiça, o direito à aposentadoria como deficiente físico, o que me rende cerca de R$ 500,00, a mais, todo mês. Com mais alguns reais, que consigo no sinal, com minhas balinhas, dá para levar a vida numa boa e até ser feliz”, diz. “Tenho mulher e filhos pra dar de comer”, acrescenta. Perguntei-lhe, se fica aborrecido quando os carros não lhe abrem a janela, o que ele prontamente respondeu: “Não, claro que não, se eles não abrem a janela é porque o ar refrigerado foge e esquenta o interior do veículo”, justificou.

Sorriso é morador de Abolição, mas é quase impossível encontrá-lo por lá. Para uma conversa e algumas fotos, tive de “caçá-lo” na zona sul, mas precisamente no Posto Cinco em Copacabana. O cara é um artista! Um bom vivant! Pensei com meus botões: óculos escuros, boné, bermuda, camiseta sport wear, um chinelão e um sorrisão largo na cara. Um artista, e dos bons, na arte de viver e vender quinquilharias. O seu outdoor ambulante vende adesivos para todos os gostos. Para torcedores: o adesivo do seu clube favorito. Para os devotos religiosos: “Jesus te Ama”. Para a sogra: “A sua língua é igual à escada rolante, sem fim”. Para os machões: “Nóis capota mas num breca” e ou, “Não sou sapo mas adoro perereca”. Para os apressadinhos: “Calma corno”. Para a realidade social: “Filho de rico é playboy e filho de pobre é motoboy”.

“Nunca na história desse país, um cara como eu, lá da Zona norte, conseguiu ganhar tanto dinheiro que dá até para alugar uma vaga num apê (apartamento), aqui em Copa (Copacabana), com direito a tomar banho de ducha, café da manhã, ver TV e outras mordomias mais”, acrescenta.