As Empreguetes – Vale a pena ver de novo!

Cheias de Charme - Vale a pena ver de novo

Cheias de Charme – Vale a pena ver de novo

Por Jota Junior

Por onde andam as empreguetes? Pergunta interessante, não é? A questão á primeira vista pode até parecer difícil, mas é tão obvia: As Empreguetes estão por aí por esse mundão de Deus. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 9 milhões de trabalhadores domésticos, e pelo mundo afora nem se contam, são incontáveis…

Ainda está latente na memória a novela global Cheias de Charme, a trama que propositalmente ou não, acabou por denunciar a realidade do universo dos trabalhadores domésticos, que ainda hoje, em sua maioria, ainda sofrem maus tratos, trabalham sem receber direitos trabalhistas, e em alguns casos, sem nem mesmo ter a carteira assinada. Trabalhadores que ainda têm nos sábados, domingos e / ou feriados, dias inalcançáveis, pois continuam trabalhando arduamente, sem direito ao descanso remunerado e merecido.

Mas a boa nova é que a ficção, com uma forcinha dos movimentos organizados, acabou por contaminar uma realidade nua e crua, trazendo a baila um assunto até então ´proibido´ nos meios formais sociais. Ao exortar, nos deveras condicionados certa possibilidade, embora remota, de que havia uma chance de melhoria nessas condições. Como bem diz a atriz Tais Araújo,“O maniqueísmo meteu o dedo na ferida e não doeu, fez cosquinhas e todo mundo brincou, sorriu, e achou até bom”.

Nesses tempos de crenças e descrenças radicais, ninguém acreditava nessa possibilidade, pois havia no ar uma certa desmobilização organizada. Justamente quando os tambores rufaram. E como rufaram! As trombetas soaram. E como soaram e ecoaram longe…

Naquele instante o silêncio estava sendo quebrado, e o barulho foi tanto que acabou por ser ouvido até lá em Brasília. Longínqua Brasília! Longínquo Congresso Nacional! Tão distante dos anseios do povo. Mas chegou lá. Para ser mais exato: justamente num cego e surdo Congresso Nacional, que quase nunca vê nem enxerga as aspirações do povo, salvo se for por para atender seus próprios interesses oligárquicos. Será que a justiça será feita, ô pátria amada idolatrada salve, salve?

Há quem diga que a culpa é da interatividade em voga e da mobilidade social da Internet que propiciou grande sucesso ao clipe da novela e acabou por incluir o telespectador no processo. Como diz a atriz Taís: “você se empresta e se transmite através dos conteúdos que você interage, a Internet veio para dentro da novela através da interação, somando ideias e termos como, as empreguetes, as cachorretes, e depois as desempreguetes, e popularizou as periguetes”.

A ficção se fundiu com a realidade, e a realidade nua e crua soube se aproveitar do momento oportuno. Fez-se presente e cobrou de quem de direito um posicionamento, uma decisão, e este grito foi tão grande que ressoou nos picaretas. Como bem disse o Lula do passado: eram quatrocentos picaretas, mas parece que ele errou na conta ou esqueceu-se de incluir os seus aliados, que não são nada bobos, nem usam tarja preta.

A boa notícia é que o Congresso acaba de aprovar a por unanimidade, a Emenda Constitucional n° 72/2013, anteriormente conhecida como PEC das Domésticas.

Ainda há muitas senzalas para fechar até que se alcance a liberdade plena, a emancipação e libertação desejada. Todavia, é fato que estamos dando um grande passo, quando fechamos mais uma senzala e jogamos as chaves fora, entregando dignidade ás pessoas, neste caso, aos empregados domésticos.

Serviço:

O advogado Carlos Eduardo Dantas Costa, do escritório Peixoto e Cury Advogados, especialista em direito do trabalho e administração de empresas, esclarece, em vídeo, as principais dúvidas sobre a emenda constitucional que deu novos direitos aos trabalhadores domésticos, como empregadas, motoristas e babás.

Acesse o link.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/advogado-tira-duvidas-sobre-a-pec-das-empregadas-domesticas

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Artistas do comércio de rua do Rio de Janeiro – Álbum

 

Artistas do comércio de rua do Rio de Janeiro

Meninos no sinal - malabaristas com bolas

Meninos no sinal – malabaristas com bolas

Por Jota Junior

Quem circula pelo Rio de Janeiro, certamente já se deparou com meninos, homens e mulheres vendendo algo pelos sinais, vias públicas e calçadas. Eles penduram balas nos retrovisores, ensaboam os pára-brisas, e às vezes, até pedem uma moedinha. Há também artistas, malabaristas, equilibristas, palhaços, etc.

Nunca na história desse país houve tantos camelôs nas ruas. Se alguém dissesse essa frase não seria nenhum visionário, estaria apenas constatando fatos.

Nos engarrafamentos constantes, eles vão surgindo aos poucos, e em instante, são incontáveis. Tudo que você imaginar eles têm pra vender. Poder ser uma cervejinha gelada, água, biscoitos, pipocas, cuscuz, tapiocas, bombons, balas, cocadas, tapetes, flanelas, adesivos, perfumes, protetores de volante, limpadores de pára-brisa, e outras coisas mais. Na Linha Vermelha, os pontos de venda já são até demarcados. Famílias inteiras aportam à beira da avenida com suas mercadorias. Como diz Gê, um dos camelôs: “Às vezes, consigo arrecadar até dois salários mínimos, cerca de R$ 1.000,00, por mês”.

Hércules, um paraplégico, vítima de paralisia infantil, trabalha no sinal da rua Conde de Bonfim, na Tijuca, há quinze anos. Não tem feriado, não tem dia santo, faça chuva ou faça sol, todos os dias ele está lá, de bate pronto. “Suas balinhas de café, de tamarindo, de hortelã ou de mel adoçam a boca de minhas filhas já faz tempo”, diz um taxista de passagem naquele momento pelo local.

“Depois de muitas lutas, muitas idas e vindas, e muitas passagens por juntas médicas da previdência social, sempre sendo reprovado, consegui na justiça, o direito à aposentadoria como deficiente físico, o que me rende cerca de R$ 500,00, a mais, todo mês. Com mais alguns reais, que consigo no sinal, com minhas balinhas, dá para levar a vida numa boa e até ser feliz”, diz. “Tenho mulher e filhos pra dar de comer”, acrescenta. Perguntei-lhe, se fica aborrecido quando os carros não lhe abrem a janela, o que ele prontamente respondeu: “Não, claro que não, se eles não abrem a janela é porque o ar refrigerado foge e esquenta o interior do veículo”, justificou.

Sorriso é morador de Abolição, mas é quase impossível encontrá-lo por lá. Para uma conversa e algumas fotos, tive de “caçá-lo” na zona sul, mas precisamente no Posto Cinco em Copacabana. O cara é um artista! Um bom vivant! Pensei com meus botões: óculos escuros, boné, bermuda, camiseta sport wear, um chinelão e um sorrisão largo na cara. Um artista, e dos bons, na arte de viver e vender quinquilharias. O seu outdoor ambulante vende adesivos para todos os gostos. Para torcedores: o adesivo do seu clube favorito. Para os devotos religiosos: “Jesus te Ama”. Para a sogra: “A sua língua é igual à escada rolante, sem fim”. Para os machões: “Nóis capota mas num breca” e ou, “Não sou sapo mas adoro perereca”. Para os apressadinhos: “Calma corno”. Para a realidade social: “Filho de rico é playboy e filho de pobre é motoboy”.

“Nunca na história desse país, um cara como eu, lá da Zona norte, conseguiu ganhar tanto dinheiro que dá até para alugar uma vaga num apê (apartamento), aqui em Copa (Copacabana), com direito a tomar banho de ducha, café da manhã, ver TV e outras mordomias mais”, acrescenta.